Por Victor Miller em agosto de 2018

Alguns jogos fazem sucesso, outros são considerados clássicos, mas poucos marcam uma geração inteira e alcançam status de lenda. Julgando pela popularidade facilmente observada na comunidade gamer, este é o caso de Final Fantasy VII no primeiro Playstation,  The Legend of Zelda: Ocarina of Time no Nintendo 64 e, sem dúvidas, o Chrono Trigger no Super Nintendo.

Fazer uma análise deste título é “moleza”, já que ele é um dos poucos games que pode receber “nota 10” em todos os pontos. Os gráficos, por exemplo, estão entre os melhores considerando ser um RPG para o Super Nintendo, com belos efeitos de magias, cenários bonitos e riqueza na animação dos personagens. A história também, fácil de entender e com fluidez impressionante, sendo o típico game que não parece “atropelado” e nem “lento demais”, mantendo excelente ritmo e as músicas que “casam” perfeitamente com cada uma das cenas.

Chrono Trigger teve como desenhista o Akira Toriyama, o mesmo de Dragon Ball.

Some isso a personagens carismáticos, gameplay com magias duplas e triplas, chefes criativos, vários finais diferentes, viagens no tempo como elemento de jogabilidade e temos todos os pontos que fazem este game, inquestionavelmente, um excelente título. 10 em gráficos, 10 em música, 10 em jogabilidade, 10 em história, 10 em gameplay etc.

No entanto, você provavelmente já jogou este título “milhões de vezes”, sabe que ele veio do “Dream Team” misturando profissionais de Final Fantasy e Dragon Quest, além de que uma análise dele seria apenas redundância, não é mesmo?  Então, resolvemos selecionar algumas curiosidades do título que você provavelmente não sabia. Caso algo interessante tenha ficado de fora, deixe nos comentários!

Aviso: essa sessão contém spoilers!

Uma das cenas icônicas do título.

O músico ficou doente de tanto trabalhar

Inicialmente, Chrono Trigger seria composto pelo veterano Nobuo Uematsu, responsável pela elogiada trilha sonora dos jogos de Final Fantasy.

No entanto, um programador de efeitos sonoros da época, Yasunori Mitsuda, estava insatisfeito com seu salário e função, ameaçando sair da Squaresoft caso não fizesse as composições do próximo projeto.

O produtor do título, Hironobu Sakaguchi, designou a ele a missão de desenvolver as músicas do Chrono Trigger dizendo : “Talvez eu salário cresça”. 

Aproveitando a oportunidade, Mitsuda disse que queria “criar uma música que não se encaixaria em nenhum gênero específico…talvez de um mundo imaginário”. O diretor, Masato Kato, disse que Mitsuda dormia nos estúdios e ficava muitas horas se dedicando as composições. Além disso, um HD que tinha boa parte da trilha sonora já composta por ele simplesmente “corrompeu” e ele teve que refazer praticamente tudo.

Quando a maior parte das faixas estavam prontas, Mitsuda contraiu uma úlcera de estômago e precisou ficar internado no hospital. Nesse contexto, o Nobuo Uematsu acabou compondo as últimas nove faixas restantes.

“Silent Light,” “Mystery of the Past,” “People Who Threw Away the Will to Live,” “Bike Chase,” “Underground Sewer,” “Primitive Mountain,” “Burn! Bobonga!,” “Tyran Castle” e “Sealed Door,” são as músicas compostas por Uematsu.

Após se recuperar, deu tempo dele ir as comemorações para o lançamento do game. Ao ver o resultado pronto, Mitsuda foi visto chorando após as cenas de créditos.

Crono: Era pra morrer

O já citado diretor Masato Kato disse em uma entrevista que inicialmente o Crono morreria após a cena do Ocean Palace.

O objetivo era que os outros personagens voltassem no tempo em um período antes do Millenial Fair, retornando-o para sua casa, mas que fosse inevitável a morte dele.

No entanto, “ordens superiores” (supõe-se que de Sakaguchi) disseram que essa decisão ia tornar o jogo “deprimente demais”, e sugeriram que alterassem a história para ele ser revivido.

Chrono Trigger viria para o “PlayStation”

Não o Playstation que conhecemos, mas sim o periférico do Super Nintendo que viria para competir com o Sega CD do Mega Drive.

Segundo um artigo dos desenvolvedores do Seiken Densetsu (Secret of Mana) Music Book, após a finalização do Final Fantasy IV começaram as primeiras conversas extra-oficiais de um projeto que iria explorar a enorme capacidade de um CD.

Seu codinome era “Maru Island“, e já tinha alguns desenhos do Akira Toriyama e algumas “ideias no papel”. Quando a equipe percebeu que o CD-ROM nunca veria “a luz do dia”, o projeto foi completamente deletado e começaram “do zero” para lançar um jogo em cartucho, indo em uma direção completamente diferente, sendo este, o Chrono Trigger.

Elementos do beta

A arte de capa foi inspirada em uma imagem da versão beta do game.

Para explorar todas as diferenças entre a versão beta e o final precisaríamos de um artigo exclusivo. No entanto,há algumas imagens muito interessantes sobre os protótipos de Chrono Trigger.

Em 1994, o produtor Hironobu Sakaguchi apresentou o projeto durante uma palestra proporcionada pela V-Jump, que é uma revista japonesa sobre novos animes, mangás e videogames.

No vídeo abaixo (legendado em inglês) vemos muitas diferenças perante a versão final, incluindo o mapa do mundo; uma cena com a Epoch que não existe no jogo; a trilha sonora apresentada também está um pouco diferente, em especial o tema de batalha.

Já no vídeo abaixo, vemos algumas faixas que não foram para a versão final:

  • 0:00 aos 1:30: Versão alternativa da primeira música de chefe;
  • 1:31 a 3:01 é uma faixa não utilizada para o Keeper´s Dome de 2300 AD;
  • 3:02 aos 5:39 é o tema do Lavos completo, colocado erroneamente pelo Youtuber
  • 5:39 aos 6:41 é o tema de batalha do jogo, mas usando instrumentos diferentes (provavelmente uma versão não finalizada desta);
  • 6:41 aos 8:02 é uma música em cordas que não foi utilizada no jogo.

Chrono Trigger de Nintendo DS faz ponte com Chrono Cross

Chrono Trigger foi relançado para o Nintendo DS em 2008, sendo esta considerada a versão definitiva do título por contar com uma tradução melhor quando comparado ao lançamento original.

Além disso, as cenas em anime do Playstation também se fazem presentes e alguns extras que aumentam a conexão com o Chrono Cross lançado para o primeiro Playstation. Caso não se preocupe com spoilers ou já tenha jogado ambos os jogos, assista ao vídeo abaixo.

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