Por Victor Miller em setembro de 2018

Com a chegada de Streets of Rage 4após 24 anos sem um título inédito da franquia, todas as atenções dos gamers nostálgicos se voltaram para a lendária série de “Brigas de Rua” da SEGA.

A trilogia original se destacava dentro do gênero beat´em up devido a trilha sonora que explorava bem a capacidade do Mega Drive, cenários noturnos dando uma excelente ambientação, personagens carismáticos e um ótimo modo co-operativo.

No entanto, tão interessante quanto os games são os bastidores que deram origem a série. Por isso, nós da Epic Play resolvemos trazer algumas curiosidades sobre a série Streets of Rage.

“Queremos um Final Fight nosso”

Imagem: Arcade Sushi

Na época, o gênero beat´em up estava em alta com o sucesso de Final Fight nos arcades e, como o Mega Drive foi desenvolvido para facilitar o processo de conversão dos “fliperamas” para consoles, os executivos tinham esperança de que a Capcom escolhesse seu videogame para a edição caseira do game.

Infelizmente, a empresa de Street Fighter e Mega Man decidiu levar o título para o Super Nintendo, sendo um grande “hit” no Japão durante o natal de 1990, mesmo com diversos cortes. Já a SEGA tinha jogos do gênero bem sucedidos como o Alien Storm e Golden Axe, mas estes eram conversões do Arcade, e a SEGA decidiu que a empresa deveria fazer um Final Fight deles exclusivo para o Mega Drive.

Os superiores deram a equipe SEGA CS2 a missão de desenvolver um “Final Fight deles“, sendo um jogo visivelmente semelhante, só que melhor. Se o concorrente tinha dois personagens jogáveis, o da SEGA teria três; se o jogo de SNES só era para um jogador, este teria suporte a dois e ambos poderiam fazer ataques combinados.

Curiosamente, um dos artistas, Atsushi Seimiya, disse que a equipe comprou um Super Nintendo só para estudar o Final Fight e fazer um jogo superior.

D-SWAT: O beta com Chuck Norris jogável

Segundo o livro “Sega Mega Drive: Collected Works” lançado em 2014, o nome protótipo de Streets of Rage era D-Swat, sendo uma referência ao game Cyber Police ESWAT para o mesmo console.

Nessa época, os três personagens jogáveis não eram o que conhecemos, apesar de terem servido como base para o Axel, Adam e a Blaze. Chama a atenção que o beta do Axel se chamaria God Hand e ele seria claramente inspirado no Chuck Norris.

God Hand – visivelmente inspirado no Chuck Norris (Reprodução)

Já o personagem de pele negra se chamaria Black Bird e seria um especialista em artes marciais, parecendo um boxeador “fortão”. Por fim, a mulher se chamaria Pink Typhoon e é inspirada na Chun-Li de Street Fighter.

Yuzo trabalhou nas músicas e é responsável pelos gritos dos personagens

Reprodução

Ainda no mesmo livro, Yuzo Koshiro disse que escolheu trabalhar com a música eletrônica devido a popularidade no ocidente naquela época, além de não ser conhecida no Japão.

Como o Mega Drive era mais popular na América do Norte que na terra do sol nascente, essa seria uma excelente oportunidade de fazer uma música que deixaria os jogadores ocidentais felizes, ao mesmo tempo que os orientais passariam a conhecer o estilo.

“Eu disse a eles (superiores da Sega) que a música eletrônica daria certo, e eu queria que fosse assim, e então eu dei a eles uma fita demo. O gerente do departamento de consumidor da Sega gostou muito. Foi uma sorte, pois eu acho que havia pessoas lá que teriam recusado a música que não era popular no Japão”.

Curiosamente, as vozes dos personagens quando atacam com seu estilo rouco graças as limitações técnicas do Mega Drive são do próprio Koshiro. No caso da Blaze, ele usou um tom de voz falsete e depois alterou no computador para um aspecto mais feminino.

Para compor, Koshiro usou uma programação original chamada “Music Macro Language” baseada em uma variante da linguagem BASIC.

“Go Straight” é uma das músicas mais populares da série.
Composta por Yuzo Koshiro para o Streets of Rage 2. 

Sequências e o (quase) quarto capítulo

O primeiro título foi sucesso de público e crítica e o objetivo da SEGA em ter um rival para o Final Fight foi bem sucedido, rendendo inúmeros debates até hoje entre a comunidade retrogamer sobre qual série é a melhor.

Muitos argumentam que o segundo capítulo da saga é o melhor da trilogia, já que ele pega todos os elementos do primeiro e faz melhor, enquanto o terceiro título, mesmo rendendo sucesso comercial, é considerado o mais fraco dos três tanto em jogabilidade quanto na trilha sonora, que é boa, mas menos inspirada que os anteriores.

Desde então, não tivemos nenhum jogo inédito de Streets of Rage, mas uma história interessante é quanto ao game Fighting Force. Na época, a SEGA contratou a desenvolvedora Core Design para desenvolver o Streets of Rage 4 e, ao longo do processo, os desenvolvedores tentaram negociar sobre a possibilidade de portar o título para outros consoles.

Como a série Streets of Rage é de propriedade da casa do Sonic, a empresa negou essa possibilidade e a Core Design acabou alterando o projeto, modificando os personagens, dando um novo nome e lançando o beat´em up em 3D para o PlayStation, Nintendo 64 e PC.

Por essa razão, ambos os games são bem semelhantes, incluindo o nome do protagonista ser Hawk que coincidência ou não, era o nome beta do Axel.

Streets of Rage 4 após 24 anos

Depois de inúmeras tentativas que nunca vieram a se “materializar”, a SEGA surpreendeu a todos ao revelar o “escondido a sete chaves” novo Streets of Rage 4.

Desenvolvido pelo estúdio Lizardcube, que ganhou notoriedade recentemente pelo remake de Wonder Boy, em parceria com a Guard Crush Games, o novo jogo vai ter gráficos desenhados a mão e jogabilidade clássica com comandos inéditos.

Pela aparência do Axel, acredita-se que houve uma passagem de tempo desde o terceiro capítulo, no entanto, nada foi confirmado no trailer. Já a Blaze parece ter sido “conservada no formol”.

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