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Por Jean Felipe em setembro de 2018

“Vocês deveriam ter agido, eles já estão aqui. Os Elder Scrolls falaram de seu retorno. A sua derrota foi apenas um adiamento… Para o período após o Oblivion ser aberto… Quando os filhos de Skyrim derramariam do seu próprio sangue. – Mas ninguém queria acreditar, acreditar ao menos que eles existiam, e quando a verdade é finalmente revelada, ela surge como fogo. Mas, há um que eles temem. Em sua lingua, ele é chamado “Dohvakiin”, Dragonborn!” – Esse foi o contexto introduzido pela Bethesda, produtora de Skyrim, para o seu trailer oficial. Skyrim fala de profecias. O jogo mais aguardado de 2011 é, de fato, o melhor jogo de seu ano. No mundo dos gamers não se falou em outra coisa, mesmo com grandes lançamentos como o novo Zelda para Wii, Batman: Arkham City, Call of Duty, dentre outros, Skyrim foi o título mais premiado e jogado por todos por muito tempo. Se você ainda está “perdido”, saiba de uma vez por todas, por que The Elder Scrolls V leva todo esse mérito em suas costas.

Descubra algo totalmente novo, mesmo depois de 50 horas de jogo

Não é um exagero sempre que a Bethesda lança um novo jogo, vir aquelas piadas de tiosão nerd como “perder a vida social”. É fácil se trancar em um quarto e esquecer (ou fingir que esqueceu) de compromissos comuns da vida, como pagar contas, por aqui. O mundo de The Elder Scrolls é cheio de aventuras. Nele, precisamente na província de Skyrim, passaremos por guerras civis, lendas que se tornam reais, viagens para novas regiões, batalhas contra dragões, buscas por tesouros raros, casamentos, doenças raras como licantropia e vampirismo, entre muitos outros, te relacionando até com as entidades malignas e o sobrenatural do reino de Oblivion. Mas tudo isso, só importa porque você pode encará-las, afinal, você é um Dragonborn.

Depois de 80 horas de jogo, eu comprei a minha mansão em Solitude. Comprei todos os imóveis, só faltando a cozinha, pois meu dinheiro havia acabado. Quando organizei a casa, coloquei todos os meus itens raros amostra, organizei estantes com todos os livros importantes que eu iria ler ou já li e não queria parar nunca de continuar aprimorando a casa ao meu gosto. É impressionante como mesmo depois de tanto tempo, você provavelmente ainda não se sentirá satisfeito, procurando por mais. O jogo te induz em variadas escolhas para a sua história. Você pode se juntar a guilda dos ladrões e otimizar suas habilidades, como pode passar o seu tempo na escola de magia, com missões em um enredo à la Harry Potter, estudando e resolvendo problemas. A questão é que mesmo após completar a principal história de The Elder Scrolls V, eu sabia que tinha muito mais a ser feito.

Além das casas comuns compradas do jogo, você pode construir uma casa do zero, literalmente, e adotar crianças com a expansão Hearthfire, por exemplo.

Skyrim passa por uma guerra civil onde o Império e os Stormcloaks travam batalhas pelo poder. Logo no começo você toma o conhecimento de que o líder dos Stormcloaks havia assassinado recentemente o rei de sua província, se auto-declarando como o futuro novo rei. Entrando em um assunto delicado, você deverá escolher em que lado vai estar durante essa guerra. O mais complexo é como a Bethesda faz isso. Não existe um lado realmente errado do tabuleiro. Dizem o Império ter se tornado corrupto após a vigilância de Thalmor ter feito um tratado sobre seu poder e banindo a crença de Talos, alegando não ser um deus verdadeiro. Por outro lado, eles dominam Skyrim desde sempre, trazendo segurança às cidades e famílias. Já os Stormcloaks querem tirar Skyrim do controle do Império e Thalmor, legalizando novamente a veneração ao grande deus da raça dos Nords. Mas por serem Nords puros e estarem em sua terra natal, são racistas nojentos. Tendo como exemplo sua principal cidade, que deixam raças como Dark Elves e Argonians em quarteirões separados. A partir daqui, é você quem escolhe o destino de Skyrim, politicamente falando. E após alguns discursos e acontecimentos, escolhi os Stormcloaks. Assim como você pode escolher o outro lado. São visões diferentes e resultados muito bem cuidados pelos produtores.

O mundo é livre, e a história principal deve durar em torno de 20 horas. Alduim, o dragão denominado “Devorador de Mundos”, voltou pelas profecias de Tamriel, o reino onde se passa a série. E este será o seu dever, matar este grande vilão histórico. A história é bacana, com reviravoltas que você mesmo escolhe ao segui-la. Mas como já dizem por aí, a verdadeira emoção da história, é a própria criada pelo jogador. Tanto que após o encerramento da aventura principal, nem haverão créditos. Afinal, a sua história pode apenas ter começado. Há também as ótimas expansões, mas existem várias missões separadas da principal que podem ser tão, como até mais emocionantes que as mesmas. E nisso, Skyrim se destaca grandiosamente de seu anterior The Elder Scrolls IV: Oblivion.

Leia sobre lendas, jogue elas

Mas, deixando toda essa treta de reis e dragões de lado, vamos falar do jogo como um todo. Graficamente falando, os consoles Xbox 360 e PS3 podem deixar um pouco a desejar com sombras esquisitas e algumas quebras de frame por segundo, em relação a versão PC, com um patch oficial para texturas em HD, dentre “mods” que podem ser baixados e tendo outras diferenças naturalmente melhores como a distância e iluminação. Algumas dungeons são bem únicas, visualmente e em seu modo de ser. Já outras nem tanto. E mesmo com 80 horas de jogo, isso não chegou a incomodar, realmente, pois o que importava eram as missões que traziam o personagem nelas. A vegetação e cenários, tanto de cidades quanto de campos, montanhas e florestas, estão todos muito bem detalhados. Me sinto bem ao passear por uma província variada e diferente do jogo anterior.

O sistema de batalha foi aprimorado dando um verdadeiro sentimento de peso em seus golpes. Antigamente, nos jogos III e IV da série, chegava a ser bem esquisito, o modo como batalhavam. Pareciam bonecos estabanados atacando e defendendo com magias e espadas. Agora temos novas habilidades e estilos implementados, como o Shout, grito feito em língua dracônica do jogo, onde poderes dos mais variados possíveis podem ser usados, desde o já famoso “Fus Ro Dah”, onde você empurra seus oponentes por um sopro, ou até a chamada de outros dragões para a ajuda e tempestades perigosas. Os detalhes e impacto das magias também foram elevados, podendo não só usá-las em uma mão, como também em duas. Posteriormente você poderá aumentar a força de algumas delas, usando duas de uma vez, causando “tiros” explosivos, dentre outros. Há também a possibilidade de usar a magia em uma mão, e a arma em outra. O que lembra perfeitamente o estilo que o game Bioshock criou, fazendo o mesmo.

As classes de personagens (coisa típica em jogos de RPG) foram deixadas totalmente de lado dessa vez. Você não vai despertar em um dia qualquer e dizer “sou um arqueiro”, já com algum bônus ou habilidades prontas. A sua única opção de escolha, no caso, seria a sua raça. Que são das mais variadas, dando um certo bônus racial passivo ou diário, de acordo com a escolha. Você também deve criar a aparência e sexo do seu personagem, juntamente no início da trama, e após tal criação, as falas dos NPCs são ajustadas de acordo com sua raça.

Ao desenrolar de suas aventuras e o dia-a-dia, conforme você vai utilizando de algo ou trabalhando com alguma coisa, você nas habilidades que usa para aquilo, aumentando os seus pontos nela e também evoluindo seu nível primordial. Os pontos acumulados por cada nível atingido podem ser usados para destravar novas Perks dentro de uma habilidade, trazendo novos usos e possibilidades com o arco e flecha, por exemplo, deixando o tempo em câmera lenta ao mirar, ou aumentan também os seus poderes ao usar magia, seu furtivo, entre outros. Você também deve escolher a cada nível novo atingido um dentre os três atributos principais para evoluir que são Magic, Health e Stamina. Você pode treinar com outras pessoas, aumentando automaticamente algum ponto, mas isso custará caro.

Os desenvolvedores se empenharam bastante para trazer um grande jogo tanto para magos, quanto para guerreiros, quanto para assassinos/ladrões. Então terão missões furtivas, que se você tiver uma boa lista de habilidades destravadas no assunto, poderá revirar um castelo inteiro sem dar um só sinal de vida. Se você for um mago, por exemplo: Terão missões das quais você precisa usar certas magias para abrir portões, ativar algo, e outras situações. Como um guerreiro, é o velho: quebrar-tudo e sair vivo pra contar história. Depois de certo tempo percebe-se uma lesão na inteligência artificial dos NPCs e inimigos, quando se está em furtivo. Mas, já houveram melhorias das quais os acostumados com os jogos anteriores da produtora, vão perceber de cara. A possibilidade de ser e fazer coisas diferentes, torna Skyrim um lugar realmente interessante. Você pode trabalhar na forja, aprender coisas novas, e aprimorar ótimas armaduras. Você pode ser um grande alquimista, ou até mesmo, encantar armas com magia e efeitos que poderão te ajudar. Sobre os três últimos, sempre faço algo entre uma missão e outra, como poções de cura, com os ingredientes que eu encontrava.

Você se envolverá com situações bastante obscuras, querendo ou não

Os dragões estão por toda a parte! No começo do jogo, quando você começa a explorar os locais, eles vão aparecer com mais frequência. O reino está aterrorizado, e têm medo da situação em que se encontram, mas com o tempo, se você for um bom explorador, vão se amenizar as criaturas. Você pode encontrar dragões básicos de início, tendo uma variação de dificuldade entre si, mas, logo haverão variações nos tipos trazendo mais dificuldade, sendo eles: Blood, Elder, Ancient, Red, entre dragões secretos, outros bem raros e outros tendo nomes próprios, sendo únicos. O interessante dos dragões é que alguns exigem estratégias diferentes. Eles trazem tempestades, outros atacam cidades, ou existem os quase impossíveis de se trazer por perto para acertar um golpe. Houve caso em que encontrei um dragão esquelético dentro de uma caverna. Foi bizarro.

Diante de tanta coisa disponível, algo é certo, a história do mundo de Tamriel deve ser vasta e você não só pode, como deve conhecer alguns detalhes dela. Leia os livros espalhados pelo mundo. Quem nunca gostou de ler livros, poderá mudar de opinião. Skyrim tem os seus próprios deuses, entidades malignas e história da criação do mundo. É uma mitologia toda própria para o jogo. Tem acontecimentos históricos, como o que aconteceu com a raça dos Dwemer, super inteligentes e de tecnologias avançadas, que em um certo dia, desapareceram por completo, misteriosamente. As histórias contam desde a “crise de Oblivion”, acontecida no quarto The Elder Scrolls a centenas de anos atrás, até algumas lendas vivas que você vai enfrentar, ali mesmo, após investigar livros e correr atrás de seus casos. Algo bem estilo a série Supernatural, só que medieval, e sem sal pra colocar nas janelas.

A narrativa de alguns segredos encontrados, é realmente impressionante e prende a atenção do jogador curioso. Uma vez pesquisei sobre Aedras e Daedras, onde em uma linha de explicações, eles seriam divididos como Aedras = “nossos ancestrais” e Daedras = “não são nossos ancestrais”. Essa é a divisão dada para as divindades encontradas em Tamriel. As divindades Aedras, explicando de modo bruto, são os deuses do bem que ajudaram Nirn, o deus maior, dando parte de seus poderes para a criação do universo. Os Daedras se recusaram a esta causa, e por isso, eles ainda têm a sua imortalidade e podem vagar no Mundus, o mundo no jogo, em forma não-etérea, ao contrário de quem ajudou Nirn. E graças a esse “pequeno” detalhe, eles costumam ter seus próprios seguidores. Seja como for, ambos não são criação deste universo, tanto que os Daedras vivem na dimensão chamada Oblivion, e os seus príncipes, que são as entidades, estão divididos em reinos próprios bem peculiares, cada um tendo a sua própria forma. E ao me perguntarem: “Você pesquisou sobre isso por pura curiosidade…?” – Não até encontrar um “poltergeist” em uma certa casa abandonada que não era de fato um fantasma qualquer.

Existem várias organizações secretas, clãs, exércitos, grupos em geral, e todo o tipo de conspiração rolando a solta. Algumas organizações vistas em jogos anteriores, podem ter se desmanchado completamente, ou virado apenas uma sombra do que realmente já foram. Outras podem estar mais fortes do que nunca, no topo do poder. Em Skyrim, você conhece muitas delas em sua jornada e basta conversar com as pessoas certas para se ingressar em suas missões.

“Lembra quando aquele gigante te jogou pra fora da atmosfera?”

Como em todo jogo da Bethesda, esse não foi excessão e não está livre dos bugs. Apesar de bem amenizados, em comparação aos anteriores, você poderá ser arremessado a 1.000 metros do chão, se levar uma pancada de um gigante. Poderá ver dragões voando de costas (esse é para o PS3), ver pessoas girando na cama enquanto dormem (assustador), e também, um ou outro problema no progresso de alguma missão. Como quando eu fui libertar o irmão de um rapaz, que estava aprisionado pelos Thalmor. Apareceu a opção para concluir ela passivamente, conseguindo um mandato para a libertação do prisioneiro, ou “chegar na crueldade” e “descer a lenha” nos guardas. A questão é que, a primeira opção era impossível de se realizar, pois não existia algo que fizesse aquilo acontecer. Enfim. Todos esses erros, em sua maioria, já foram resolvidos com patchs.

Você ainda pode ter mercenários, amigos, cavalos, e outros juntos em sua aventura. O sistema de ordem para os seus companheiros é bem bacana, interagindo com todo o cenário. A IA deles é bem útil e dificilmente te atrapalham. Claro, alguns morrem em armadilhas bobas. Comentários relacionados a situações às vezes são dados pelos mesmos, e dependendo do seu companheiro, ele terá seus próprios problemas, e precisará de ajuda.

Hoje há a ‘Definitive Edition’, versão com todas as expansões (Dragonborn, Hearthfire e Dawnguard) e gráficos melhorados do jogo.

Ainda terão muitos outros detalhes, dos quais esqueci, ou nem devo citar aqui, pra não perder graça. Mas, pelo menos pode-se ter certeza de que Skyrim será a sua nova casa por boas e boas semanas. E deixando de lado bizarrices, como a verdade de que um cavalo consegue escalar uma montanha melhor do que você, ou bugs, só consegui ter uma coisa em mente como resposta: Eu não me importo. Eu acredito que se um jogo consegue me prender a atenção por pelo menos 80 horas, onde até as 70 horas jogadas eu estava com a mesma empolgação de quando iniciei a aventura, essa se transforma na verdadeira experiência de Skyrim, que é te prender a atenção e divertir. The Elder Scrolls: V prende qualquer intermediário da língua inglesa (caso você não baixe uma tradução em português), do começo ao fim. E ele é uma boa prova do por que os RPGs japoneses acabaram dando espaço para os ocidentais, ultimamente. Você é livre para fazer a sua história em um mundo maravilhoso pronto para ser descoberto. Você pode ser o maior ladrão já visto na história, assim como o maior justiceiro. Ou você não precisa ser nada disto e apenas viajar como um colecionador de itens raros. A escolha é sua e o mais importante de tudo é que ela vai continuar sendo totalmente aceitável, independente de qual seja.

Nota: As expansões podem adicionar muitas horas e elementos que chamam muito a atenção, como: montar em dragões, novas regiões como uma ilha da região de Morrowind, facções, missões gigantescas e outros. Vale a pena investir na Legendary Edition (que vêm com todas expansões).

Dica: Jogue em modos elevados de dificuldade. O modo Adept do jogo pode acabar tornando tudo muito fácil depois de algum tempo.

Avaliação: 9.5

Jogado na versão PC, avaliado o jogo base.

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Jean Felipe é diretor-geral e fundador da Epic Play. Você pode acompanhar mais sobre o seu trabalho de perto no YouTube ou pode realizar doações para o desenvolvimento de projetos.

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