Por Roberto Carlos Fernandes Junior em outubro de 2018

Pela terceira vez, temos uma “nova” geração de celulares gamer.

Empresas como Asus, Xiaomi e até mesmo a Razer, começaram a lançar novos celulares, que atualmente estão na segunda versão dos mesmos.

Rog Phone, Razer phone, Asus black Shark trazem de volta a nova guerra de celulares gamer

Aliás, será que isso vai dar certo?

Precisamos lembrar que já houve diversas tentativas de lançar celulares que mesclam a ideia de ser um portátil de jogos, e isso é uma ideia ótima, porém não deu muito certo em quase todas as tentativas. Sim, eu disse “quase todas”.

Isso porque apesar de terem existido muitos modelos, a grande maioria não foi famosa. Por exemplo, o SV 360, da LG.

Tenho certeza que você está vendo este celular pela primeira vez aqui.

A grande verdade é que a maioria destes telefones até tiveram uma grande aceitação, mas a maioria dos problemas iniciais que alguns continham mostram como estes aparelhos realmente não se tornaram memoráveis pelas suas qualidades e seus jogos, mas sim por conta de seus maiores defeitos, e para vermos se a “nova geração” de celulares gamers podem dar certo desta vez, é bom entender o que aconteceu no passado que nos levou a hoje.

O celular gamer antigo mais famoso que temos hoje em dia no conhecimento dos jogadores é o Nokia N-Gage.

Serei sincero: eu era um moleque que queria muito ter tido um telefone deste, e provavelmente se eu encontrar algum deles à venda em um “brechó da vida”, acabaria levando um. Sério. Falo isso porque ele foi o concorrente direto do Game Boy Advance da Nintendo. Só para se ter uma ideia, existem muitos jogos multiplataforma para os dois que, na maioria das vezes, conseguiam até ser melhores no Nokia N-Gage do que o próprio Game Boy Advance.

Alguns exemplos são: Crash Nitro Kart, Tomb Raider, e meu favorito, Sonic N.

Nokia N-Gage junto de seu rival Game Boy Advance

Crash Nitro Kart, Tony Hawk, e Rayman enchiam os olhos pelos seus incríveis gráficos 3D e belos sprites na época

Ele também marcou como um dos primeiros sistemas que permitia jogar multiplayer sem fios, coisa que só virou padrão em 2006 com o PSP e Nintendo DS.

Então, da mesma forma que o celular parecia ser de fato um grande marco, também foi um grande fiasco. Sua usabilidade era realmente terrível, a ponto que, se você for atender o telefone, você teria que atender com ele de lado, e que, para trocar os jogos, você praticamente tinha que abrir o celular e tirar a bateria para poder trocar o jogo, e é isso tudo, mesmo nesta ordem. Estes problemas de usabilidade, atrelado ao grande preço de R$1.700 ou US$300 (que hoje, passaria da casa dos 700 dólares com valor corrigido nos dias atuais), e com a queda de lançamento dos jogos, mostraram que ele não era tão bom assim, e foi um dos motivos pelos quais ele acabou sendo descontinuado.

N-Gage e sua forma particular de atender ligações e seu “belo” local para colocar cartuchos

Praticamente, não existiu nenhum outro telefone realmente relevante. A grande verdade é que houve tentativas, mas nada que chamasse a real atenção. A própria Nokia criou um portal chamado N-Gage 2, que era portando bons e mais elaborados jogos em java para seus celulares que usavam Symbian.

Acredite: existe um jogo baseado no filme Resident Evil Degeneration, que segue a mesma jogabilidade do Resident Evil 4, saiu neste sistema

Mas o que podemos chamar de segundo grande “marco” nos celulares gamers foi o lançamento do Xperia Play.

Inicialmente chamado de PlayStation Phone, mas não era esta “Coca-Cola toda”

Como todos os celulares na época usavam o inovador Android 2.3 e os jogos para celulares pareciam bem promissores, a própria Sony pensou em trazer este nicho de mercado em alta novamente. Ela praticamente pegou um de seus hardwares médios na época, no longínquo ano de 2011, e praticamente colocou um controle deslizante e dois gatilhos no estilo do PlayStation mesmo.

Ele foi até que um acerto: a própria Sony oferecia jogos de PS1 que eram emulados dentro desde telefone, mas um ou outro jogo de graça dentro do pacote do celular. Na época do lançamento no Brasil, ele custava R$1,700, bem caro para a época. Hoje em dia, custaria em média R$5,000 com o valor corrigido, aproximadamente.

E deu certo? Aparentemente, sim. Muitos jogos de Android eram compatíveis com este controle, mas na época, o sistema do Google não possuía um padrão no seu código para controles para jogos, tanto que havia muitos jogos que funcionam com controle de terceiros, mas não com o controle da Sony do Xperia Play. Fora outro problema sério: este telefone não era o mais potente da Sony. Por isso, em torno de um ano, ele ficou muito atrasado para poder acompanhar os novos jogos.

Ele é um telefone “cult” e há pessoas que pede por uma nova versão dele, porém isto nunca aconteceu. Até chegaram a aparecer algumas imagens vazadas, mas nada que se tornasse uma realidade ou passasse de mero rumor.

O Xperia Play 2 que nunca existiu

Mas e agora, o que está acontecendo?

Bem, posso dizer que existe sim um grande nicho de mercado que só tem crescido com jogos mobile. Vemos a própria Google e Apple investindo em sistemas para jogar games de forma melhor em seus aparelhos, tanto que também temos empresas grandes do mercado como a Konami que declaram de bom grado que o futuro está nos jogos mobiles, e junto com esta onda, temos empresas que estão de olho em fazer celulares que sejam potentes a ponto de rodar estes grandes jogos que estão saindo.

Xiaomi Black Shark acima; Asus Rog Phone abaixo; Razer Phone 2 a direita

Esta trindade de celulares é a grande aposta do mercado atualmente. Só para termos uma noção, todos estes celulares hoje lançados, foram anunciados de forma surpresa, coisa que chocou o público recentemente, mas vamos passar um pano nestes 3 aparelhos e marcas.

  • Razer Phone

De longe, é o que se sustenta apenas pela marca da Razer mesmo, porque se tirar o detalhe de que é um celular da Razer, ele se torna um celular tão comum quanto um chinês que a Gearbest vende. Digo isto porque seu “maior diferencial” é apenas uma tela com atualização de quadros de 120Hz, que segundo relatos de usuários, quase não faz diferença nos jogos, por conta de que o celular tem muitos problemas de usabilidade que a Razer tenta atualizar e corrigir com updates em seu sistema. Não é nada catastrófico, mas de fato, ele não tem nada de mais além disso. Acredito que a Razer só investiu neste mercado para poder abocanhar uma grana mesmo, pois como sabemos, usuários Razer curtem gastar uma grana.

Dica: Se você namorar alguém que usa produtos com esta marca, saiba que você pode pedir um iPhone ou outro presente caro . #ficaadica

  • Black Shark da Xiaomi

Este aparelho é o que chegou meio de surpresa, mas se formos olhar o histórico da empresa, poderíamos esperar. Ela literalmente lança de tudo, desde celulares, computadores, até óculos, mochilas e escovas de dente. No entanto, este aparelho, que é de longe o melhor custo benefício, além de ter um sistema melhor otimizado que a concorrente neste artigo, é o único que possui a tela que realmente entrega a sua taxa de quadros que promete, que é 90Hz, Isso porque o processador é realmente melhor otimizado, existe até um sistema de resfriamento, e fora que ele é o primeiro a sair com um controle analógico que você facilmente coloca no celular.

Isto se torna um destaque mesmo porque estamos falando de realidade dos jogos mobile hoje em dia, que são a falta de padrão nos botões de ação. A grande verdade é que este analógico fora da tela, e uso dos botões de ação no touch ainda funcionam bem. É um bom híbrido de sistemas que realmente funcionam de forma que realmente vale o investimento, lembrando que é o mais barato dos três.

Black Shark da Xiaomi e seu analógico e gatilhos removíveis

  • “ASUStadoramente” caro Rog Phone

Os celulares da Asus chamam atenção, principalmente porque estamos falando de uma grande fabricante de peças para PC que muitos conhecem, mas seu lançamento é um Rog Phone, que é sua nova linha de celulares gamer. O que acontece é que ele vem em um preço muito acima da média, fora que estamos falando de um telefone que tem seu maior diferencial em diversos acessórios que são tão caros quanto o aparelho, que inicialmente está a um preço de $1,000. Meio caro, mas verdadeiramente promissor, pois além de ter a qualidade da Asus, tem suporte a acessórios que o transformam até mesmo em um PC gamer (ou melhor, mobile PC gamer). Só que com este preço, é meio difícil acreditar em um futuro promissor com este celular, pois não existe muito público do Android que deseje gastar muito em celular para jogos assim.

Rog Phone e seus acessórios promissores, que vão desde dock para transformar em mini PC, e uma segunda tela para fazer streaming

E agora?

Eu sei que se você tiver interesse real de jogar muito em celular, posso dizer que se você pegar um destes novos celulares não irá se arrepender. Porém, eles são bem mais caros que o convencional do mercado. Além disso, recomendo este comparativo do Xiaomi Black Shark com Razer Phone 2, para tirar algumas dúvidas.

Aliás, também é bom saber que tipo de jogo que você vai querer jogar em celular, já que existem muitos jogos ao estilo retrô no mercado mobile que não pedem tanto processamento, e até um modelo antigo pode ser capaz de rodar. Mas caso queira testar uma possível emulação, dependerá do celular, já que é possível emular desde um Game Boy, passando por um PSP/PS2 ou até mesmo um Gamecube e Wii.

Mas tudo é uma questão de gosto, por que dependendo do que você vá querer jogar, ou até mesmo usar no dia a dia, estes celulares parecem durar bastante. Em termos de uso, e também de bateria e desempenho, recomendo o Black Shark que é o melhor custo benefício dos três, mas ambos rodam tudo o que você quiser jogar.

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