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Por Otávio Augusto em setembro de 2018

Desde que Sonic Forces foi anunciado na festa de 25 anos de Sonic junto de Sonic Mania, eu fiquei bastante empolgado com o jogo, assim como muitos. Ele aparentava ter tudo o que eu queria como fã: um tom mais sério para a história, o retorno da polêmica jogabilidade com “boost”, uma música tema com vocais e outros elementos.

A ansiedade chegou a outro patamar com a inclusão de personagens customizáveis. Caso você tenha feito parte da “fandom” do ouriço desde sua infância, admita: você sempre quis criar ou já fez um personagem seu no estilo dos personagens (comumente chamado de fanchar ou fan character). O universo de Sonic é tão imersivo e carismático que é praticamente impossível resistir à tentação, quando criança, de criar um personagem nesse contexto.

Sendo assim, a SEGA acabou demonstrando ter escutado os pedidos dos fãs a respeito do que a série em 3D deveria ter, e nos entregou como resposta Sonic Forces. Com ressalvas, tivemos uma ótima adição à série, mesmo com alguns aspectos que poderiam ter sido melhor trabalhados, e vamos falar sobre isso aqui.

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A Resistência VS Império de Eggman

Eu vou deixar claro já aqui no começo que sou fã de Sonic mais pelos personagens do que os “jogos” em si. Com certeza é muito divertido alcançar alta velocidade e enfrentar os desafios que Sonic deve combater, mas o que realmente sempre me cativou foram os personagens de enorme carisma e história envolvendo eles. E é por isso que eu não estava satisfeito com o rumo que os jogos do Sonic estavam tomando a partir de Sonic Colors, com uma história mais infantil e piadas realmente sem graça a cada segundo que se passava. Ao ver a promessa de que Forces teria temas mais “adultos”, fiquei bem interessado com o conceito. No fim, creio que em termos de história recebemos a melhor em 7 anos, ao menos.

Sonic se despedindo do Avatar/Rookie que o salvou da prisão e ajudou na jornada

A caracterização do Sonic está mais condizente com o personagem, ele sabe os momentos onde deve ser sério ou sarcástico, e possui aquela natureza otimista e espírito livre que todos nós amamos. Knuckles também mostrou seu valor como personagem ao assumir o papel de líder da resistência, agindo de maneira bem mais inteligente e apresentou um lado que não víamos faz tempo nos jogos (como a tendência de Knuckles a agir por compulsão). Eu também gostei muito de como os amigos de Sonic têm relevância na história, participando nas batalhas e ajudando os protagonistas por trás de tudo. Outro ponto forte é que os personagens se comunicam durante o gameplay, trazendo informações relevantes.

O Avatar tem uma personalidade meio previsível, mas funciona muito bem no contexto do jogo. Detalhes como ele aparecendo vestido da maneira que você o customizou nas cutscenes adicionam um verdadeiro charme ao personagem, também. A cena pós-créditos envolvendo Sonic e o Avatar é especialmente bela, com o azulão dizendo “você e eu não somos tão diferentes assim”, tocando no coração de fãs. Além disso tudo, o avatar possui um arco de personagem como já visto em quadrinhos prévios ao lançamento do jogo, e é importante para a história; a inclusão dele no roteiro foi bem implementada.

Eggman representou ser uma verdadeira ameaça neste jogo.

O vilão Eggman também foi bem executado e eu particularmente gostei dos momentos onde ele demonstrava sua inteligência, especialmente com a fonte de poder reserva escondida em Metropolis, mostrando que o personagem aprendeu com as suas experiências.

Apesar desses positivos, a história ainda possui os seus negativos. O Infinite teve uma introdução forte no começo que se seguiu ao meio do jogo, mas a maneira como ele é derrotado é bastante anti-climática, com o vilão fugindo. O jogo perdeu a oportunidade de fazer com que ocorresse uma batalha entre Super Sonic e Infinite, ou demonstrar a capacidade de todos os poderes do antagonista. Pelo menos a esperança fica para que Infinite, o “grande” vilão implementado em Forces, retorne num jogo futuro para explorar mais seu potencial, pois até então ficamos só na espera de algo relevante.

Sonic, Knuckles, Amy e outros personagens foram bem caracterizados, mas Tails não foi bem executado. O personagem virou o completo oposto do que era antes. Jogos como Sonic Adventure demonstravam que o Tails não queria viver na sombra do seu “irmão” mais velho, salvando a Station Square de um míssil, e enfrentando o vilão Chaos 4 sozinho. Agora em Sonic Forces, Tails parece ter virado um dependente completo de Sonic, gritando por sua ajuda, ou perdendo toda sua esperança quando Sonic presumidamente morre (Tails passou pelo mesmo cenário de uma suposta morte do Sonic em SA2, e foi bem melhor executado).

O Sonic Clássico tinha potencial na história de Forces, principalmente com a ligação com o jogo Sonic Mania, mas ele basicamente fez nada demais. O jogo tinha uma oportunidade para reverter os papéis entre Tails e Clássico (já que agora ele é tecnicamente o irmão mais velho no futuro), mas não foi feito algo com essas oportunidades. O jogo tenta fazer com que a despedida do Clássico seja emocionante, mas não traz o impacto esperado.

As interações entre o Sonic clássico e Tails poderiam ter sido muito melhor elaboradas.

E também tem o Chaos (ou sua cópia), que apesar de ter sido bastante promovido nos trailers e divulgações do jogo, não fez algo de relevante para a história, diferente do resto do grupo das cópias dos vilões. O que é uma pena, já que Chaos tinha potencial para ser uma gigantesca ameaça.

Outro elemento que não gostei muito foram algumas partes da localização feita pela dupla Ken Pontac e Warren Graff. Eles desnecessariamente adicionam detalhes que não estão presente no roteiro japonês, como o Sonic sendo torturado, ou o Tails enlouquecendo. Essas adições não mudam algo à história, mas fez com que Sonic Forces traduzido para o ocidente ficasse mais confuso, de modo geral.

Apesar de todas essas ressalvas, a história de Sonic Forces é boa e um passo na direção correta. Ela se leva mais a sério, Sonic voltou a agir como deveria, ela é bem dinâmica e te deixa curioso quanto ao que vai acontecer. Está bem melhor do que jogos anteriores como Sonic Colors e Generations.

A força visual e audível

Alguns cenários se destacam grandemente.

A Sonic Team fez sua lição de casa na qualidade gráfica de Sonic Forces. Desde que o jogo foi anunciado, Iizuka deixou claro que seria utilizado a nova “Hedgehog Engine 2”, e os resultados são acima da média. Sonic Forces é um dos jogos mais bonitos do mascote. A iluminação que já virou marca registrada dos jogos 3D deixa os cenários mais dinâmicos e bonitos e a sensação de passar correndo por tudo isso é satisfatória. De todas as fases, a que mais gostei foi a Metropolis, sua estética futurista misturada com branco e tons de azul fazem o nível ser um espetáculo para os olhos.

A iluminação nos personagens também é boa e eles nunca parecem estar “destacados” no cenário, se implementando perfeitamente. Além disso, a parte gráfica do jogo foi tão bem trabalhada que as cutscenes do mesmo, apesar de não possuírem CGI, são muito bem executadas e contam a história perfeitamente. A Sonic Team esteve desde o lançamento de Sonic Lost World para Wii U desenvolvendo a Hedgehog Engine 2, e o resultado foi bom.

A trilha sonora do jogo foi feita por Tomoya Ohtani, o mesmo compositor de Sonic Adventure 2, e é uma das melhores da série. A música tema Fist Bump é viciante, inspiradora e fala sobre a amizade entre Sonic e o Avatar (ou seja, tecnicamente a música está falando entre a amizade que o Sonic tem com os seus fãs). O tema de Infinite é muito bom, e facilmente vicia.

Fist Bump é extremamente viciante, assim como o tema do Infinite.

As músicas do jogo em geral possuem uma pegada mais eletrônica. Isso é perceptível principalmente nos níveis do Avatar onde todas possuem um vocal. Elas são igualmente boas, e possuem letras que combinam com o que está acontecendo no jogo. Em especial destaco a “Imperial Tower”, cuja batida e ritmo ainda não saíram da minha cabeça.

E para as músicas orquestradas, a SEGA convidou a Orquestra Sinfônica de Londres (a mesma que regeu a trilogia original e prequel de Star Wars) para regê-las, resultando em ótimas novas músicas orquestradas para a série. Elas dão ao jogo uma sensação de grandeza.

Porém, nem todas as músicas são ótimas. Ohtani optou por sons mais “Mega Drive” nas fases do Sonic clássico, utilizando uma fonte de som semelhante à do console 16-bits da SEGA. O problema é que esses sons agudos podem incomodar os ouvidos (Green Hill é onde mais se sofre com isso). Os jogos clássicos tentavam oferecer músicas que extrapolavam os limites determinados pelo Mega Drive, resultando em músicas excelentes. Já as do Sonic clássico em Forces, buscam ser inferiores à qualidade musical atual, oferecendo no máximo algo decente. O triste disso tudo é que as melodias são boas; o problema é a execução, e assim como demonstrado por remixes de fãs, as músicas do Clássico poderiam ter sido melhor executadas.

O clássico, o Avatar e o moderno

Death Egg, um dos melhores níveis do Sonic clássico nesse jogo.

Para o novo jogo da série, a jogabilidade do boost retorna, que pessoalmente é uma das minhas favoritas da série. Sonic faz tudo o que você espera que ele faça: homing attack, stomp, boost e corre em velocidades frenéticas. Apesar disso, ele apresenta um retrocesso quanto à jogabilidade de Generations. Por algum motivo, esse jogo não possui o Drift, o que é realmente perceptível em níveis como Metropolis, onde eu morri em áreas que não teria morrido se houvesse o Drift disponível. Os níveis do Sonic moderno são divertidos e na minha opinião as melhores partes do jogo.

O Sonic clássico é divertido de controlar nesse jogo também, mas não chega a ser tão divertido como é em Sonic Mania. O principal problema que vejo é que ele parece ter a sensação de ser “pesado” demais, algo principalmente notável no começo da Chemical Plant. Mesmo com isso dito, as fases dele são boas, e Ghost Town e Death Egg clássica são umas das melhores do jogo.

O “Avatar” é uma nova adição na franquia e ele é controlado de uma maneira similar ao Sonic moderno, porém não pode executar o boost e usa armas para atacar os inimigos. Essas armas são os Wispons, uma versão “armada” dos Wisps e cada uma vem com um diferencial, sendo cada uma ideal para determinada fase ou luta, adicionando um fator replay ao jogo.

Um detalhe que dificulta a jogabilidade do Avatar é que seu pulo é travado. Quando você pula, o avatar permanece na trajetória e ritmo que ele estava antes, ou seja, você não consegue influenciar o controle dele no ar. Todavia, o Avatar e sua customização extensa foi uma excelente adição ao jogo, seria bom a SEGA utilizar o conceito em outros jogos.

As fases “Tag Team” lembram a jogabilidade de Sonic Heroes para PS2, Xbox e GC.

Também retorna nesse jogo algo bem reminiscente de Sonic Heroes, que é a Tag Team gameplay, onde você controla o Sonic moderno e o Avatar juntos, podendo alternar entre os dois. Essas fases “prendem” pelo diferencial no jogo, onde você fica alternando entre os dois e desbloqueando caminhos novos.

O real elemento que dividiu os fãs é no quesito da duração das fases: O jogo tenta compensar a duração curta implementando uma quantidade grande de fases, o que em conceito soa uma troca ideal. Mas, tem algumas fases que passam a sensação de que elas acabaram antes de realmente começar, sendo que duram apenas um minuto e meio. Porém, a maioria fases ainda são divertidas, mesmo com a curta duração, e outras estão entre as melhores na série. Vindo em mente algumas fases que fizeram bem seu papel, são Pyramid Tower, Null Space, Ghost Town, Prison Hall, Luminous Forest, Network Terminal, Death Egg, Park Avenue, Capital City e Metropolitan Highway.

“Que a força esteja com você”

Sonic Forces foi mais um jogo interessante para a série Sonic. Ele apresenta tanto acertos (história mais séria, inclusão do Avatar) como erros (jogabilidade inferior ao Generations, Sonic clássico é ok de se jogar mas é desnecessário). Mesmo assim, no geral, eu o considero como outro jogo divertido da franquia. Ele possui as ideias certas para onde se deve levar a série mas em vias curvas (entende?): Uma história mais elaborada, porém não perfeitamente executada; música tema com vocais, mas outras inferiores aos próprios clássicos; a presença do Avatar e as fases Tag Team, mas ausência de Drift e outras habilidades importantes. O que nós podemos fazer é torcer para que o próximo jogo 3D da série melhore essas ideias e as leve pra frente.

Sonic Forces possui boas ideias para onde levar a série no futuro.

Pontos Fortes:

  • A jogabilidade do Boost é divertida, e os níveis do Sonic moderno são igualmente divertidos;
  • O conceito do Avatar e “você” ajudar o Sonic é uma ideia genial para saciar uma boa parte da fanbase e é bem implementada nesse jogo;
  • A história é a mais decente que a série teve em seus últimos 7 anos; a caracterização de Sonic está ideal;
  • Infinite é um vilão misterioso;
  • Os níveis são bastante criativos;
  • A qualidade gráfica do jogo é acima da média para jogos do gênero;
  • Os amigos de Sonic têm papel na história e são presentes;
  • A caracterização de Shadow está muito boa;
  • Temas vocais sensacionais, principalmente com Fist Bump, Theme of Infinite e Light Of Hope;
  • O jogo possui momentos “épicos” que marcam a franquia em Sonic moderno.

Pontos Fracos:

  • O Sonic Clássico não contribui muito com a história e passa a sensação de ser desnecessário;
  • A caracterização do Tails deixa muito a desejar;
  • Chaos faz absolutamente nada no jogo;
  • Infinite não é explorado ao seu potencial como deveria;
  • As músicas do Sonic clássico variam de “decentes” a “horríveis”;
  • Ausência de Drift na jogabilidade;
  • A duração de diversas fases.

Avaliação: 7.5

Jogado na versão PC, avaliado o jogo base e DLCs.

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  1. Eu não diria que a caracterização de Sonic tenha sido ideal. A personagem se mostrou deveras despreocupada em certas situações que se desencaixaram do contexto de dominação global, destruição e desesperança. Ele não parecia estar levando a coisa a sério, e isso não seria errado, mas ficou mal colocado, principalmente quando temos os amigos detectando áreas em que seus companheiros haviam sido feitos prisioneiros e usados sabe-se lá pra quê. Ele não parecia se preocupar tanto com os poderes de Infinite ou levar o todo a sério. Um pouco mais de tensão teria sido legal.

    Outro ponto é que eles poderiam ter dado muito mais atenção à história e às personagens (vilões) se não incluíssem o Sonic Clássico. É um fato. E… Shadow? Uou, a melhor parte de jogar com ele era imaginar o porquê dele estar atravessando aquele caminho. Antes, depois do Sonic? Qual seria seu objetivo? Como sempre, a destruição ao redor era um mero detalhe em seu caminho.

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