User Rating: 9.5
Por André Eduardo Ruschel em outubro de 2018

Quando ocorreu a E3 de 2012 dois jogos fizeram o público suspirar, não somente pelos seus gráficos, impressionantes para aquela geração, mas também por trazerem inovações aos games e uma aparente grande diversão. O primeiro foi Watch Dogs com seu mundo aberto de grandes proporções e uma qualidade de imagem inacreditável, o outro seria para alguns, até aquele momento, mais um jogo de zumbi.

Com certeza todos já imaginavam que uma nova franquia feita pelos criadores de Uncharted não seria, apenas, outro simples jogo usando o já desgastado tema de colapso zumbi. Todas as dúvidas acabaram quando ao fim da apresentação da Sony na feira daquele ano uma demonstração em tempo real, com um produtor jogando em frente a todos, mostrou Joel e Ellie sobrevivendo em um cenário com uma ambientação incrível. Ali estava um encerramento digno para a vida útil do Ps3, com um legado que mostrava uma produtora usando tudo que um console poderia oferecer naquele momento.

O enredo que surpreendeu

Certa vez lembro ter lido de um crítico que os principais momentos de um jogo são seus primeiros vinte minutos, uma vez que estes vão ser extremamente relevantes para que o jogador se disponha, mesmo que involuntariamente, a continuar jogando até o fim ou indefinidamente. The Last of Us é, talvez, o game já feito que melhor representa esta definição. Impossível, até mesmo para aqueles que ignoram enredos nos games, ficarem indiferentes com as propostas oferecidas pelo gameplay, ambientação e atuação dos personagens no caos inexplicável apresentado durante o prólogo.

Alerta de pequenos spoilers, porém apenas do começo do jogo.

Nos primeiros momentos do gameplay observamos um pai com o único objetivo de manter sua filha a salvo de pessoas bastante enfurecidas que estão, aparentemente, infectadas. Infelizmente, após alguns momentos vemos que, apesar das tentativas, tudo foi inútil e que por incrível que possa parecer, a morte da menina não veio dos dentes de um zumbi, mas de um membro do exército que, mesmo escutando por súplicas de misericórdia, foi capaz de cometer o assassinato.

As consequências deste ato fizeram de Joel alguém que perdeu todo amor e carinho pela humanidade, tornando-se frio socialmente e vivendo em função da sobrevivência. Vinte anos se passam e a pouca parcela da população que ainda está viva mora em zonas de quarentena espalhadas pelo país. Joel e sua “companheira” Tess aparentemente vivem de contrabandos e após alguns eventos recebem a missão de conduzir a adolescente Ellie até os vaga-lumes, sendo estes um grupo rebelde que se nega a seguir as instruções das autoridades e sonham em restabelecer a sociedade como era anteriormente.

Após alguns acontecimentos os personagens são capturados durante a jornada e ficamos sabendo que Ellie está infectada, porém, sem apresentar a evolução dos sintomas, sendo ela, assim, a provável cura para a humanidade. Em paralelo a isto vemos Joel em seu convívio com Ellie cada vez mais próximos, fazendo com que o protagonista conseguisse voltar a possuir empatia pelas pessoas e reaprendendo aquilo que possuía e perdeu vinte anos antes.

Curiosidade: O Fungo Cordyceps, responsável pela infestação em The Last of Us existe em nosso mundo real, mas calma, ele não ataca seres humanos, apenas determinados ditos de insetos e outros artrópodes, inclusive alterando o comportamento destes. MEDO.

Curiosidade 2: Em 2013 a editora Dark Horse Comics publicou uma série de quatro quadrinhos chamados The Last of Us: American Dreams que abordam com mais detalhes o passado de Ellie.

Curiosidade 3: Houve uma pequena polêmica com a atriz Ellen Page, devido a sua grande semelhança com a personagem Ellie (até no nome). Apesar dos comentários a Naughty Dog negou a suposta homenagem.

Semelhança de Ellen com Ellie.

Primor técnico

Em qualidade gráfica The Last of Us está entre os mais bonitos do PS3, ficando lado a lado com Beyond Two Souls em minha opinião, apresentando uma rica quantidade de detalhes que contribuem para a ambientação decrépita do jogo. Como exemplos, em determinado momento vemos ao longe um prédio inclinado como se estivesse a desabar, após alguns eventos estamos lá dentro sentindo a sensação de que não apenas os inimigos poderiam te matar, mas também o cenário. Em outras ocasiões entramos com os personagens na água e ao sairmos vemos suas roupas molhadas momentaneamente até a altura em que estavam submersos, incrível.

Os efeitos sonoros, músicas e interpretações das vozes estão ótimas e poderiam até mesmo dispensar a crítica. O trabalho de dublagem foi fenomenal, inclusive a brasileira, ajudando a transparecer as personalidades dos interessantes protagonistas. Todos os personagens secundários foram bem produzidos, como o Irmão de Joel, Tommy, a líder vaga-lume Marlene, amigos de jornada como Henry e Sam, entre outros.

Climas variados in-game.

A respeito dos efeitos sonoros, estes realmente receberam um destaque especial no jogo, uma vez que além de ótimos, também possuem forte influência no gameplay, como no caso da habilidade listen, em que podemos identificar a posição exata de inimigos ao redor apenas escutando seus passos ou respiração diferenciada. O designer Ricky Cambier, em entrevista à revista oficial do Playstation Brasil descreveu a importância diferenciada desta característica em The Last of Us: “Em um mundo no qual um único inimigo pode te matar, você fica assustado ao ouvir este inimigo (…). E como esses inimigos, chamados clickers, usam a ecolocalização para se orientar, eles utilizam o som para te encontrar”.

A trilha sonora foi composta principalmente pelo argentino Gustavo Santaolalla que consegue expressar perfeitamente a hambientação de um mundo devastado em seus instrumentos musicais. Podemos ver a qualidade de seu trabalho já no trailer de The Last of Us e confesso, de minha parte, ficar feliz de que Gustavo será o responsável pelas músicas da parte dois que está a caminho.

Qual o diferencial em The Last of Us?

Outros jogos do mesmo gênero com alta qualidade técnica ja vimos no passado, porém, a forma como a narrativa foi incrementada junto ao gameplay se deu com uma plasticidade e envolvimento como jamais vistos. Sério, o jogador logo começa a se importar com a dupla Joel e Ellie, realmente querendo que os objetivos deles sejam alcançados. Devido ao fato da adolescente ter nascido pós o apocalipse zumbi, a mesma conhece muito pouco sobre como eram as vidas das pessoas antes de toda destruição a sua volta, isto faz com que a mesma faça perguntas constantes sobre quando a vida era mais do que apenas sobreviver. Exposições assim, com dois personagens convivendo juntos, já haviam sido vistas em jogos como Ico e Bioshock Infinite, mas aqui foi superior. Interessante vermos jogos como Resident Evil Revelations 2 utilizar destas características, aquela franquia que tanto influenciou no gênero Survivor também pode ser influenciada.

Os cenários são incrivelmente detalhados, com pôsteres de filmes e de bandas que estavam em evidência na época do início do desastre. Os combates, apesar de realistas, mantém o foco em um gameplay divertido, como no único momento do jogo em que ficamos de ponta-cabeça e brevemente com munição ilimitada, ou quando os personagens parceiros tornam-se imunes aos inimigos em meio a determinadas situações.

O tempo da jornada varia entorno de vinte horas na primeira vez em que jogamos caso lermos os arquivos com calma, morrermos algumas vezes e pesquisarmos pelos colecionáveis, itens e engrenagens. O jogo em si é bastante linear, mas em nada isto atrapalha, já que a aventura é longa e com cenários bastante ricos.

Os kits médicos estão presentes e devemos fabricá-los com aquilo que encontrarmos nos cenários, assim como outros objetos. As ditas engrenagens e ferramentas tem como finalidade promoverem power-ups nas armas quando encontramos as mesas próprias para isto no decorrer do jogo. Interessante também quando misturamos itens, como amarrar uma tesoura junto ao bastão de beisebol, deixando-o mais forte.

Os combates podem ser por via do ataque direto ou de forma furtiva, dependendo da situação apresentada ou estilo do jogador. Contra estaladores é recomendável maior precaução, enquanto para derrotar os corredores acredito ser melhor uma tática mais agressiva.

The Last of Us possui modo multiplayer e apesar de contribuir para uma longevidade ao jogo, não é essencial para o proveito do mesmo. No modo online há também desafios extras.

O bestiário

Apesar de pequeno é bastante satisfatório. Interessante que ao abrirmos as galerias de arte, lindas por sinal, vemos que tiveram vários modelos de inimigos não utilizados na versão final, quem sabe eles aparecem na parte 2? Ficamos no aguardo.

  • Os Corredores: mesmo tendo pequenas variáveis, estes inimigos são, como o nome descreve, bastante ágeis e raramente chegam a ser perigosos quando encontrado sem outros tipos por perto. É o primeiro estágio do infectado após a contaminação;

  • Os Estaladores: inimigos símbolos do jogo, são lentos, porém, incrivelmente letais. Devido ao fato do parasita se instalar no cérebro e emergir pelos olhos da vítima, estes infectados são cegos e nos encontram pelo som. Possuem este nome pelo barulho emitido por suas bocas. Todos fãs de The Last of Us conhecem este som e é facilmente percebido durante o gameplay;

Estalador

  • Os Baiacus: Neste último estágio de evolução os infectados passam a ficarem maiores, mais fortes e conseguindo atacar a distância, podemos dizer que é um tipo de boss do jogo. De forma genial a produtora não apresentou o inimigo logo no início da aventura, rasgando o cartaz com as fases da doença, deixando assim um mistério. Vou fazer o mesmo.

Cartaz do início do jogo “esconde” a imagem dos baiacus.

  • Os Humanos: É comum em obras de mundo apocalíptico os humanos tornarem-se violentos, afinal, se em nossa sociedade com leis e restrições vivemos com isto em nosso cotidiano, imaginem um mundo sem limites impostos. Apesar de não serem infectados são bastante perigosos, já que utilizam armas de fogo e possuem uma melhor inteligência artificial.

Como disse anteriormente, apesar da baixa variedade de inimigos, vemos combates de qualidade e não repetitivos, isto devido às variações de cenários, grande quantidade de armas e principalmente misturas de inimigos em mesmos locais, o que nos obriga a ter diversas abordagens para alcançar os objetivos.

Em 14 de fevereiro de 2014 foi lançado o DLC The Last of US: Left Behiend, o qual conta a história de Ellie pouco antes da aventura principal, é ótima e indispensável para os fãs, porém, não trataremos sobre ele aqui no review.

Em 29 de julho de 2014 o Playstation 4 recebeu a versão remasterizada de The Last of US, sem muitas inovações técnicas, teve como principal vantagem a DLC Left Bihind ter sido incluída no pacote.

Sem a presença de bugs relevantes que atrapalhem o gameplay, talvez o único defeito de The Last of Us seja seu excesso de linearidade quando o jogamos uma segunda vez, realmente não há muito o que fazer depois a não ser pegar os colecionáveis e troféus do game, porém, a qualidade de tudo presente nele é tão alta que é provável você querer voltar um dia. Por fim, que venha The Last of Us Part 2, logo.

Avaliação: 9.5

Jogado na versão de Playstation 3.

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