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Por Jean Felipe em maio de 2018

Nunca me interessei profundamente pela série Yakuza. Pra mim, antes de jogar Yakuza 6, lembrava dessa franquia como “aquele jogo japonês que faz muito sucesso… No Japão”. E assim foi, vida que segue. Fui contatado certo dia pela assessoria da SEGA e recebi para teste antecipado o “tal do Yakuza 6“. Como nosso grupo estava lotada de serviços, eu disse: Ok, eu vou jogar, lembrando que já tinha chego no mercado ocidental o tão bem falado Yakuza 0, então eu estava um pouco curioso, na realidade.

Deu um “tempinho” e já tenho 40 horas de jogo. Ok, eu tive que parar um pouco pra voltar a trabalhar. O ponto é: Como que um jogo consegue representar tão bem o Japão? Sem exagero algum, você se sente passeando por uma pequena área de Tóquio e, logo depois, se sente acolhido na pacata e resiliente Onomichi, em Hiroshima. Tudo envolto de centenas de acontecimentos simultâneos e uma história principal que volta e meia é deixada de lado pelo “passeio”. Eu me prendi como não me prendia há muito tempo em um jogo.

Você pode jogar sem ter jogado outro Yakuza antes

Yakuza 6 é um bom ponto de entrada pra galera que tinha o receio de jogar o último ao invés do primeiro. Em suma, a história desse jogo é bastante à parte dos outros, além de ter um resumo complementar dos jogos 1 ao 5 disponíveis para se ler.

Em resumo, Kiryu estava preso há alguns anos após o desfecho aparentemente aterrador de Yakuza 5, muitos anos se passaram e muita coisa mudou. É interessante ressaltar como o jogo já começa “quebrando” os laços com jogos anteriores e retrata também toda uma nova era não só da Yakuza, como do próprio Japão em si. Tecnologia e até japoneses YouTubers fazem parte de temas em missões paralelas. A forma como o protagonista trata tudo isso como “tiosão” acaba dando um ar ainda mais interessante.

Cenários e personagens são muito bem detalhados.

E apesar de ainda estarmos envolvidos em embates contra criminosos, a trama também tem um foco grandemente poético sobre os laços familiares que o protagonista cria no mesmo jogo. A trama é crescente e os reviravoltas que pareciam talvez até um pouco rasos se transformam em uma trama épica e inesperada a nível de cinema. Não sou capaz de opinar (como disse a Glória Pires na premiação do Oscar) sobre os outros jogos, mas já estou totalmente afim de começar a jogar do Yakuza 0 até os relançamentos 1 e 2 para PS4 adiante, mesmo não tendo feito 60% do que Yakuza 6 teve a oferecer.

A série Yakuza também é conhecida por trazer atores e atrizes em alta no Japão para representar alguns personagens. E, caso você já tenha ouvido falar em algum cantinho da internet… É, eles também trouxeram atrizes pornográficas pro jogo. Essa segunda parte vou me ater de explicar aqui, mas, elas aparecem em uma situação mais hilária do que qualquer outra coisa… Todavia, Chega a ser bem “sexy”. Deixe seus parentes longe da TV,  pra evitar acusações sobre você ser um tarado(a) que vê esse tipo de coisa até quando joga videogame.

Alguns personagens memoráveis:

Toru Hirose

Patriarca da Família Hirose
Uma subsidiária da Família Masuzoe da Yomei Alliance

Ele é interpretado pelo famoso ator Takeshi Kitano que também fez parte como chefe do Section 9 em Ghost in the Shell (2017) e foi o professor Kitano em Battle Royale 1 e 2. No jogo, ele cuida da pequena família Hirose.

Tsuyoshi Nagumo

Capitão da Família Hirose
Uma subsidiária da Família Masuzoe da Yomei Alliance

Interpretado pelo ator Hiroyuki Miyasako de Cafe Isobe (2008). Só vou deixar uma breve citação: “Anikiiii”.

Joon-gi Han

Líder da Máfia Jingweon

Até a máfia coreana (e também chinesa) estão inclusas na trama. Com a voz de Yuichi Nakamura, é um personagem bastante egocêntrico e interessado em derrubar o “Dragão de Dojima”, Kiryu.

Erina Sakurai

Essa é Erina, hostess de um clube em Yakuza 6. Conforme você avança na intimidade, as garotas até podem se tornar suas “namoradinhas” com várias saídas e missões próprias. Ela e as outras são modelos da vida real e até usam seu nome real no jogo.

Os atores/modelo citados, na vida real (links externos por questões de direito de imagem): Takeshi KitanoHiroyuki MiyasakoYuichi Nakamura e Erina Sakurai.

As cidades Kamurocho e Onomichi são dois totais opostos

Kamurocho é baseada na real Kabukicho, em Tóquio. Tudo o que a gente mais pensa sobre Tóquio, ao ouvir falar sobre ela, está lá. Ruas movimentadas (ainda mais movimentadas de noite), placas, luzes e cores pra todo lado e todo o tipo de entretenimento. Quem vive lá deve ter uma vida “cara” com o tanto de coisa pra se fazer, ou locais pra comer ou conhecer, e Yakuza 6 oferece essas situações em partes com o novo Dragon Engine, motor gráfico que o Ryu Ga Gotoku Studios trouxe no jogo e faz jus à geração do PS4.

Veja a Kamurocho da vida real (Kabukicho) clicando aqui.

Podendo desfrutar ainda mais disso tudo em um PS4 Pro com gráficos melhorados (cenário com mais sombras) e a 60 fps sem queda de frames, Yakuza 6 peca no PS4 padrão com pequenas quedas de quadros, devido possivelmente ao alto nível de informação que pode ser vista simultaneamente sem quaisquer telas de carregamento. Pode-se dizer que não pouparam também nos pedestres nas ruas e isso pôde ser uma das causas das quedas.

Algumas capturas de tela em Kamurocho no seu pico de movimento, que é de noite.

Os pedestres são uma benção pro jogo, pois torna tudo muito vivo, mas tenho mais duas reclamações: 1) Às vezes eles tomam um empurrão quando claramente você não encostou neles; 2) Algumas cutscenes no começo do jogo demonstram um “formigueiro” de gente, desnecessariamente. O jogo já tem muita gente, não precisavam mostrar algo desconexo com o que é visto enquanto jogamos. Ambos devem melhorar em títulos futuros, talvez? Mas é algo minucioso que me incomodou.

Em Kamurocho, um pouco do que fãs da franquia já estão acostumados se espalha pela cidade. Desde rebater bolas de basebol, cabaré, dois espaços da SEGA com jogos completíssimos, como Puyo Puyo e o jogo de luta Virtua Fighter V (sim, o 5 para PS3), até uma caça por gatinhos de rua para dar-lhes um abrigo no Cat Café, conversas de bar, academia e outros. As cidades também estão lotadas de restaurantes, lojas e máquinas para compras.

Já em Onomichi você começa a liderar um time de Basebol, pesca tubarões, toca um violão e começa uma gangue para ajudar uns rapazes… Isso se difere tanto dos jogos de dardos, karaokê e Live Chating de Kamurocho, que não sei onde começa nem termina… Nunca acaba.

As missões paralelas também impressionam e dão charme a ambas as cidades, às vezes pressionando sua fé no sobrenatural ou até lidando com assuntos atuais, como inteligência artificial e o quão ela interfere no nosso dia-a-dia. Só acho que mais elementos de jogabilidade das missões secundárias poderiam estar presentes nas missões da história, dando mais variação.

“Setouchiii Warriors!”: Lidere uma equipe de basebol em Yakuza 6.

Soco soco, bate bate, soco soco, vira vira…

Você “soco bate e vira” um bando de Yakuzas e vagabundos o jogo todo. É divertido, é por uma boa causa… E é eles quem começam… Quase sempre. O jogo mistura momentos épicos de ação com um sistema fácil de se entender e jogar.

Kiryu evolui conforme o que come, com treinos em academia e batendo nos marmanjos. O jogo não é muito difícil depois que você pega a manha, então pros mais sedentos de dificuldade, podem começar desde já no modo “Hard” indo depois pro modo “Legendary” após terminar uma vez a história, pra quem busca platinar o jogo na plataforma.

Com algumas lutas bastante memoráveis, o jogo nesse ponto não é repetitivo do começo ao fim, mas pode se tornar depois disso. Uma das reclamações de fãs sobre Yakuza 6 é que ele simplifica um pouco o sistema de lutas, talvez para atrair um público mais generalizado, e a falta de uma variação maior é sentida por quem continua jogando por muito tempo. As missões paralelas por outro lado, cobrem esse breve sentimento. Mas, quanto maior a dificuldade, mais interessante fica, o que é bom ter sua atenção antes de comaçar a jogar.

Outro ponto legal, é que as brigas “saem” do modo padrão do jogo e entram no modo RTS, quando se trata da “briga de clãs”. Kiryu cria um clã pra derrubar uma grande organização. O estilo de jogo e história fica a parte do resto em Yakuza 6, sendo que você lidera sua gangue em missões e luta enviando os membros para porradaria e fazendo-os usar ataques especiais e movimentos. RTS é o gênero para identificar jogos como Warcraft III e Starcraft, por exemplo.

Algumas cenas devem agradar muito aos fãs de filmes de ação.

“Venha visitar o Japão”

No final, com o motor gráfico Dragon Engine e cenários extremamente bem cuidados, Yakuza 6 é quase uma “viajem virtual” ao Japão. Você tem um playground de coisas para se fazer e muita ação. Eu lembro de uma missão onde você salva uma senhora de uma seita religiosa estranha, e após completá-la relacionei a mesma a momentos em GTA V envolvendo uma missão do mesmo assunto. Depois comecei a comparar em como Yakuza pode ser o equivalente a um GTA ou Red Dead Redemption vindo dos japoneses.

Deixando um pouco de lado “caras” conhecidas, a ideia parece ter sido também chamar uma nova era de fãs para a franquia neste jogo, o que funcionou comigo e deve estar funcionando com mais pessoas, provavelmente.

Infelizmente, MUITO infelizmente, Yakuza 6 não é traduzido para o português e é de suma importância que o mesmo seja entendido pela complexidade de sua história e acontecimentos. Se você sabe inglês e quer embarcar nessa viajem com muita briga ou coisas e costumes que você comumente só encontra no Japão, seja bem-vindo(a). Kazuma Kiryu te espera em uma aventura épica do começo ao fim.

Avaliação: 9

Testado em um Playstation 4 padrão.

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Jean Felipe é diretor-geral e fundador da Epic Play. Você pode acompanhar mais sobre o seu trabalho de perto no YouTube ou pode realizar doações para o desenvolvimento de projetos.

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